De Olho na Informação
Princípio ativo utilizado no câncer pode tratar doenças da córnea
Um trabalho de pesquisa desenvolvido no Paraná, tomando por base princípio ativo utilizado no combate ao câncer, pode renovar as expectativas no tratamento para quem apresenta perda evolutiva grave e silenciosa da visão, com riscos de provocar a cegueira, por conta da vascularização anormal da córnea.
O estudo tem a participação do Hospital de Olhos do Paraná e ganhou repercussão nos principais jornais do Paraná.
Veja as matérias publicadas: Gazeta do Povo e do Estado do Paraná.
Glauco Reggiani Mello, especialista em Transplante de Córnea, é o responsável pelo trabalho de pesquisa que teve início há dois anos no Hospital de Olhos do Paraná e no Instituto de Pesquisas Médicas da Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná.
O oftalmologista diz que, “as complicações decorrentes da vascularização da córnea desafiam a oftalmologia, por que esta forma de terapia emprega, essencialmente, medicamentos à base de corticóides que, na maioria dos casos, são indicados por tempo prolongado e, por vezes, de forma indiscriminada. Estes fatores podem potencializar outras doenças da visão, como a catarata, o glaucoma, entre outras com riscos de causar a cegueira definitiva.
A boa notícia que o pesquisador aguardava como resposta para buscar a melhora a estes pacientes, livrando-os dos riscos do tratamento convencional, surgiu em 2004, quando o FDA liberou o uso do Bevacizumabe, um princípio ativo que se mostrou importante aliado no combate do câncer colo retal metastático, ao atuar regredindo a neovascularização do tumor.
Apesar do lançamento do Bevacizumabe ter despertado a atenção de oftalmologistas interessados em saber até que ponto ele se mostrava eficaz no tratamento de doenças da retina, como a retinopatia diabética, Glauco Mello é quem foi a fundo na pesquisa. Transformou-a em tese de mestrado, aprovada recentemente com louvor na Faculdade Evangélica, e agora pretende publicá-la em revistas internacionais.
Neste primeiro passo do estudo, o oftalmologista realizou experimentos com coelhos. A metade deles foi tratada com a nova droga e a outra com placebo. A metodologia utilizada permitiu concluir que a aplicação a droga reduziu a vascularização das córneas no grupo tratado, sem provocar efeitos colaterais.
Os mesmos animais pesquisados serão avaliados em prazos maiores, para que o oftalmologista dê início ao trabalho com humanos. Os resultados obtidos servirão como base à tese de doutorado que Glauco Mello pretende defender em breve.
A alteração no protocolo de tratamento, com redução importante no número de doses ministradas, “contribuirá para que tenhamos um novo cenário de enfrentamento de uma doença que, até então, nos deixava de mãos atadas pela falta de alternativas que permitissem o seu combate mais efetivo”, de acordo com Glauco Mello.
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